A incrivel historia da candida Erendira e da sua avo desnaturada

direção
Alberto Grilli

O grupo desenvolveu o proprio trabalho nas ruas chegando a compor um espetaculo para espaços abertos protegidos,pequenas praças ou patios. Procuramos uma forma que consentisse,de um lado de trabalhar com o espirito do espetaculo em movimento e em espaço aberto,do outro de conservar o conto,a vontade de se mostrar atraves da estoria.E um teatro que quer divertir,encantar,mas também falar do nosso desejo de liberdade. Vemos a America do Sul como um "mundo longinquo" que nos enche os olhos de cores,de sons conhecidos,de sabores amados. No espetaculo coexistem jogos acrobaticos com pernas de pau,musicas e dialogos com o publico,marionetes gigantes e duelos,danças e maquinas cenicas. Desfrutando a fisionomia do lugar da açao,o publico é guiado em uma narraçao continua que quer sim divertir,mas também oferecer uma estoria para recordar,na qual repensar. A estoria é inspirada na obra homonima de Gabriel Garcia Marquéz,mas também outras obras foram incluidas naquela durante o trabalho. Os personagens tém nomes conhecidos portanto à quem leu a obra do escritor colombiano: mas para nos sao também outros.Sao uma"ponte" rumo a um povo e suas estorias.Sao um aceno particular, um clima,um ambiente.E sao todas as estorias contadas. Assim,o desejo tao natural de Erendira de se liberar da servidao -em Garcia Marquez expressa nao por acaso atraves da venda do seu corpo- nos aparece um desejo de liberdade mais geral e historico.Paralelamente,a influencia da avo é a sua tradicional possibilidade de conduzi-la à obediencia,porque é educadora,e é moderada,e religiosa. Falsa e exageradamente religiosa e desfrutadora em frente à vontade de ganhar dinheiro. "Babilano", o comerciante,nos pareceu de ter todas as caracteristicas para se transformar em um digno representante da classe burguesa,ou melhor,comerciante ,em um procedimento simplificador,por simbolos,que procura obter uma ligaçao clara para o publico. Os dois bandidos,mercenarios da propria força,sao quem aquele exercito que é sempre "legalmente"do lado dos poderosos,corajoso, frequentemente pagando com corpos de homens,defensor de quem ha o poder politico-economico. Esses vao naturalmente ào dinheiro de "Babilano",prontos a defender a Avo-tradiçao. Sobre todos cai a morte.Nas faces cativantes do Fotografo ou do Marinheiro,personagens comicos do espetaculo,ela aparece na nossa historia para sublinhar os tres momentos de "violencia" da rebeliao de Erendira.

Assim encontrarao a morte seja a avo que Babilano e os dois bandidos. Mas todos se beneficiarao de uma "normal" ressurreiçao teatral,ao apontar que também na vida esses tres poderes,com outros,suportam muito mais de uma rebeliao,e continuam em novas (nao necessariamente...) formas determinando os destinos das pessoas comuns.